Sobre as primeiras vezes.
Eu queria começar com uma frase do tipo: a vida é mesmo uma safada.
Mas isso seria lido como se eu tivesse escrevendo com raiva. Ou algo do gênero.
Não que eu me importasse com o que seria dito. Isso sempre me importou muito pouco, é mais a ideia de mudar o tom dos textos.
Esse é o primeiro texto que eu publico em um blog diferente do Murro na cara. E duvido que qualquer um que leia esse texto, já tenha lido algum daqueles textos. Confuso, sim. Normal. Tanto que a frase que eu havia planejado muda pelo anúncio do desejo de ter começado com ela. O que obviamente, não permite que o texto comece dessa forma.
É, a vida é mesmo uma safada.
Ela se recusa a te ensinar sobre as primeiras vezes. A vida não se importa se tu percebe que as primeiras vezes vão acontecer ou não. De fato ela se diverte com as possibilidades.
Sim, se diverte mesmo. Como quem assiste a um filme ela diz:
"- Morte, vem aqui ver o otário do Leandro escrevendo sobre as primeiras vezes, olha só hahahaha...".
Ou algo como:
"- Olha ali o Jair tentando ficar de pé pela primeira vez, vai cair quer ver? Olha só. Espera... Espera... hahahahha caiu hauahuahuahuahua".
Algo assim.
Vida, sua desgraçada. As primeiras vezes são normalmente mais difíceis. Raramente é fácil fazer algo corretamente pela primeira vez que se tenta fazer algo. A graça das primeiras vezes está em remontar as segundas vezes. As vezes, as terceiras vezes. Quem sabe uma quarta? Ou até uma octagésima sétima, talvez?!
Aprendemos lentamente. Passo a passo. E se tem uma coisa que eu me lembro é da minha mãe me dizendo:
"- Queria ter minhas pernas dos 30 e a cabeça de hoje...".
Nunca fez sentido quando eu tinha 15. Mas começou a soar de uma forma assustadora aos 35. Não porque tu percebe que ela tem razão. Mas porque eu tu entende, com certeza absoluta, de que existe muito mais que tu não sabe do que tu sabe. Confuso de novo, eu sei. Mas é isso. Tipo Sócrates com: "quanto mais eu sei, sei que nada sei...".
Bem por aí Sócrates, obrigado.
"- Por nada seu merda" - responde o meu Sócrates imaginário.
Tipo um personal Jesus. Super star talvez.
A vida me confunde cada vez mais.
E na escuridão da ignorância eu vejo uma vela se acender. Um vulto de uma mulher anã e bem idosa joga fora o fósforo que usou para incendiar o pavio.
"- Se aproxime Leandro..." - ela diz vagarosamente.
"- Fudeu." - eu digo - "quem és tu ó idosa mística?"
"- Eu sou a vida garoto...".
Penso: como pode a vida ser uma pessoa?
"- A vida é o significado, eu sou só uma metáfora criada pela tua imaginação piegas e limitada..."
"- Massa, pode esculachar mesmo..."
"- Existe um significado para as primeiras vezes, sabes né?" - ela me pergunta.
"- Deve existir! Tudo nessa bosta é pra ter um significado..."
"- Nem tudo menino, nem tudo..." - ela resmunga olhando para as próprias mãos enrugadas.
"- Tá senhora vida, fala aí, qual é?".
Ela me olha com um misto de nojo e raiva. Como quem tivesse agonia de estar falando comigo. Como quem menospreza o objeto principal do assunto. Como quem faz algo por obrigação.E finalmente diz:
"- É melhor tu acabar esse texto pra ouvir o que eu tenho pra dizer."
Eu respondo:
"- Ok.".
Mas isso seria lido como se eu tivesse escrevendo com raiva. Ou algo do gênero.
Não que eu me importasse com o que seria dito. Isso sempre me importou muito pouco, é mais a ideia de mudar o tom dos textos.
Esse é o primeiro texto que eu publico em um blog diferente do Murro na cara. E duvido que qualquer um que leia esse texto, já tenha lido algum daqueles textos. Confuso, sim. Normal. Tanto que a frase que eu havia planejado muda pelo anúncio do desejo de ter começado com ela. O que obviamente, não permite que o texto comece dessa forma.
É, a vida é mesmo uma safada.
Ela se recusa a te ensinar sobre as primeiras vezes. A vida não se importa se tu percebe que as primeiras vezes vão acontecer ou não. De fato ela se diverte com as possibilidades.
Sim, se diverte mesmo. Como quem assiste a um filme ela diz:
"- Morte, vem aqui ver o otário do Leandro escrevendo sobre as primeiras vezes, olha só hahahaha...".
Ou algo como:
"- Olha ali o Jair tentando ficar de pé pela primeira vez, vai cair quer ver? Olha só. Espera... Espera... hahahahha caiu hauahuahuahuahua".
Algo assim.
Vida, sua desgraçada. As primeiras vezes são normalmente mais difíceis. Raramente é fácil fazer algo corretamente pela primeira vez que se tenta fazer algo. A graça das primeiras vezes está em remontar as segundas vezes. As vezes, as terceiras vezes. Quem sabe uma quarta? Ou até uma octagésima sétima, talvez?!
Aprendemos lentamente. Passo a passo. E se tem uma coisa que eu me lembro é da minha mãe me dizendo:
"- Queria ter minhas pernas dos 30 e a cabeça de hoje...".
Nunca fez sentido quando eu tinha 15. Mas começou a soar de uma forma assustadora aos 35. Não porque tu percebe que ela tem razão. Mas porque eu tu entende, com certeza absoluta, de que existe muito mais que tu não sabe do que tu sabe. Confuso de novo, eu sei. Mas é isso. Tipo Sócrates com: "quanto mais eu sei, sei que nada sei...".
Bem por aí Sócrates, obrigado.
"- Por nada seu merda" - responde o meu Sócrates imaginário.
Tipo um personal Jesus. Super star talvez.
A vida me confunde cada vez mais.
E na escuridão da ignorância eu vejo uma vela se acender. Um vulto de uma mulher anã e bem idosa joga fora o fósforo que usou para incendiar o pavio.
"- Se aproxime Leandro..." - ela diz vagarosamente.
"- Fudeu." - eu digo - "quem és tu ó idosa mística?"
"- Eu sou a vida garoto...".
Penso: como pode a vida ser uma pessoa?
"- A vida é o significado, eu sou só uma metáfora criada pela tua imaginação piegas e limitada..."
"- Massa, pode esculachar mesmo..."
"- Existe um significado para as primeiras vezes, sabes né?" - ela me pergunta.
"- Deve existir! Tudo nessa bosta é pra ter um significado..."
"- Nem tudo menino, nem tudo..." - ela resmunga olhando para as próprias mãos enrugadas.
"- Tá senhora vida, fala aí, qual é?".
Ela me olha com um misto de nojo e raiva. Como quem tivesse agonia de estar falando comigo. Como quem menospreza o objeto principal do assunto. Como quem faz algo por obrigação.E finalmente diz:
"- É melhor tu acabar esse texto pra ouvir o que eu tenho pra dizer."
Eu respondo:
"- Ok.".
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